Cláudio Ramos em entrevista

Cláudio Ramos conta que se era pago para desmascarar famosos, tinha-o de o fazer, mas avisa que se tratava de um mero jogo televisivo em que dizia o que pensa
Tornou-se um rosto conhecido em "Noites marcianas", da SIC, e popularizou-se com a participação no programa "Big brother famosos". Ultimamente, Cláudio Ramos, de 36 anos, integrou e equipa de comentadores do "social" da "Tertúlia cor-de-rosa" do programa "Fátima", entretanto extinto.
Nesta "rentrée", estreou na passada quinta-feira o espaço televisivo "Mundo dos Famosos", que integra o formato "Mundo das Mulheres", da SIC Mulher, além de assegurar uma rubrica de moda no novo programa matinal da estação de Carnaxide. Cláudio Ramos fala do mito em que tornou a "festa do croquete". Considera ainda que o seu êxito no "comentário cor-de-rosa" se deve ao facto de este verbalizar o que os outros não têm coragem de dizer.
Como é "Mundo dos famosos"?
É um registo totalmente diferente da tertúlia. Tem a ver com fama, mas com um "target" internacional. Estamos a falar para o público das 19 horas. Dependerá do que acontece no país, no Mundo e também do suporte de imagens.
O "Mundo dos Famosos" foi uma proposta sua?
Partiu de um convite da Sofia Carvalho, directora do canal. Serei o mesmo de Cláudio de sempre, mas sei que estou a trabalhar para espectadores que não são as donas-de-casa das 10 horas da manhã. É um jornal de famosos, onde comento notícias lá de fora. Não entraremos tanto na intimidade.
Mas aquele escrutínio era legítimo?
Se estava a ser pago para o efeito, claro que sim. Era um programa de televisão. Um jogo. Se tinha de desmascarar pessoas, desmascarava. Os confrontos só duravam enquanto durava o programa. Sempre nos demos bem.
Era uma "persona" que vestia?
Não. Sou assim no dia-a-dia. Ainda que noutra versão pois não me suportaria a mim próprio. Não passo é o tempo a falar da vida dos outros. Digo aquilo que penso e costumo posicionar-me do lado dos mais fracos. Gostam de mim porque eu verbalizo o que todos gostavam mas não têm coragem.
Será um Cláudio diferente agora...
Não serei tão agressivo, ou aguerrido, pois não haverá necessidade de discussão acesa.
Qual será a periodicidade e duração?
Será semanal e terá entre os 15 e 20 minutos. Vai existir interacção com quem conduz o programa, senão, transformo-me num bloco de gelo que está a falar para uma câmara. Gosto de ser questionado. Os espectadores poderão participar no blogue.
De onde vem a vocação para o universo das vedetas?
Não é vocação. Uma vez o Pedro Miguel Ramos disse-me uma coisa muito engraçada: quando nos dão um metro quadrado temos que saber correr nele como se fosse a maratona. O meu percurso assim o ditou. Não foi uma escolha. Depois, cresci perto da fronteira, em Elvas , e sempre vi muita televisão espanhola que tem uma cultura de fama distinta.
Quais as principais diferenças cá?
Dou um exemplo: há pouco tempo uma cantora pediu 300 mil euro para ser entrevistada. Ora, isso em Portugal era inimaginável. Os nossos famosos ainda são complexados. Em Espanha há uma indústria. Se há um preço a pagar, não podem vir reclamar a seguir. Não há comparação. Em Portugal somos 50 famosos apenas.
Qual a fronteira entre intimidade e privacidade?
É muito importante respeitarmos a intimidade. A privacidade é algo totalmente diferente. O limiar é ténue, mas os profissionais devem-no perceber. Não se pode ficar indignado coma publicação de uma fotografia na praia quando já nos expusemos uma e outra vez. Trata-se de uma moeda de troca e aberto o precedente... Não se pode aceitar fazer produções, casamentos pagos e roupinhas de bebés e depois acusar a imprensa de invasão de privacidade. Quem dorme com quem, mortes e saúde já dizem respeito à intimidade.
A fama responde a uma lógica apenas mercantil?
Paga-se para que se vá a festas. Ganha-se bastante bem. É uma maneira de se seleccionar onde se vai. Em Espanha chamam-se "bolos", aqui "presenças". Mas aproveita a ambas as partes. No entanto, entrar nas discotecas, ter bebidas sem pagar é uma situação efémera. Depende de um contrato.
Mas afinal, o que é um famoso?

Não gosto do termo famoso, mas de mediático. É quem interessa ter numa festa, que vende revistas. Os verdadeiramente famosos não alimentam a imprensa cor-de-rosa.
Como vê a questão do êxito fácil?
Isso é um mito. Quem diz isso, soa-me sempre a ressabiamento. Irrita-me as pessoas dizerem que, por exemplo, a televisão está cheia de mulheres bonitas apenas pela estética. Há é golpes de sorte e não é difícil chegar, difícil é manter. Mas só os que têm talento vingam.
fonte: site JN

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